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A Pedra do Letreiro

A Pedra do Letreiro é um cantinho onde pretendo partilhar convosco as minhas paixões pela escrita e viagens/caminhadas pelos recantos destes dez grãozinhos de areia espalhados por este imenso Atlântico

A Pedra do Letreiro

A Pedra do Letreiro é um cantinho onde pretendo partilhar convosco as minhas paixões pela escrita e viagens/caminhadas pelos recantos destes dez grãozinhos de areia espalhados por este imenso Atlântico

DRACUS - O DRAGOEIRO SAGRADO (PARTE I)

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- Minha cara senhora, essas coisas são lendas! E, eu em lendas não acredito! – disse o Sr. Thomas ainda incrédulo com aquilo que a Sra. Lucy acabara de lhe contar.

 

- Percebo a sua posição Professor Thomas. O senhor é um homem com uma reputação invejável no ramo das ciências da física e da matemática, portanto será difícil convencer-lhe com relatos do oculto, por mais sem provas concretas. Mas fique a saber que este planeta mantém bem escondido dos nossos olhos segredos que poderiam mesmo revolucionar as leis de Newton e Einstein. E acredite que Platão não teria escrito acerca da Atlântida se não tivesse tido conhecimento ou provas da sua existência!

 

- Não se exagere também trazendo à baila a questão da Atlântida, Sra. Lucy! Sabe perfeitamente que até hoje não se conseguiu localizar um único vestígio dessa mítica ilha-continente. Mesmo que ela tivesse submergido, como muitos são levados a acreditar, com todas as tecnologias que temos hoje no século XXI, onde se incluem os sofisticados satélites geoestacionários, com certeza já tínhamos descoberto a sua localização e para lá enviado submarinos-robôs para exploração. É bem provável que Platão se tenha deixado levar pelos acontecimentos da altura e daí ter forjado esse mito – respondeu o Sr. Thomas.

 

- Do seu lado percebe-se, sem resquícios de dúvida, que a ciência um dia terá respostas para tudo aquilo que se passa neste mundo e tudo o quanto se afirmar, mas que a ciência não seja capaz de corroborar por ora, são superstições – exclamou a Sra. Lucy – mas creio que o Sr. Thomas esteja equivocado em parte. Pois há coisas que até hoje a ciência não conseguiu provar, ou que jamais conseguirá provar, a sua existência, não podendo contudo serem consideradas superstições!

 

- Desculpe-me Sra. Lucy, se lhe ofendi as suas crenças. Não era esse o meu propósito! Sei que você é uma católica devota e que tem as suas razões para não acreditar apenas na ciência. Mas, como a senhora própria sabe, já dizia o São Tomé que é preciso ver para crer – disse o Sr. Thomas, numa clara tentativa de apaziguar o debate.

 

- Ora essa Sr. Thomas! Ambos estamos cá para fazer valer as nossas posições e não lhe posso exigir que leve em conta tudo aquilo que lhe estou a dizer, sem antes testar a sua veracidade. Já fui sim uma devota, mas depois de tudo aquilo que pude presenciar, pus de lado grande parte da minha devoção à igreja, porque creio que ela também, tal como a ciência, não está totalmente preparada para dar uma resposta cabal à nossa passagem por este mundo e sua continuação ou não, aqui ou nalguma outra parte do universo, em outra forma que não a matéria.

 

- Agora sim, conseguiu deixar-me mesmo intrigado com essa nossa conversa – exclamou o Sr. Thomas! – Pelo que pude perceber, a senhora viu algo que abalou a devoção à sua religião. É isso, não é Sra. Lucy?! – Interrogou o Sr. Thomas, um tanto quanto confuso.

 

- Se o senhor tiver tempo e paciência, prometo-lhe contar tudo o quanto eu sei e presenciei sobre o DRACUS – respondeu a Sra. Lucy, enquanto aproveitava o momento para limpar os seus óculos que estavam um pouco embaciados.

 

- A minha cara Sra. Lucy sabe que, enquanto cientista que estuda a astronomia, venho tentando indagar a existência de vida microbiana numa das luas de Júpiter, a lua Europa, para ser mais preciso, algo que poderá revolucionar toda a ciência que foi desenvolvida até hoje. Saber que não estamos sozinhos neste infinito universo é algo que me intriga desde criança quando, na casa dos meus pais, eu passava horas a fio a contemplar a beleza dos astros no céu nocturno, e agora eu vejo na Europa uma oportunidade única para desmascarar certas verdades tidas como absolutas. Portanto, ambos estamos a tentar, cada um pelos seus meios, provar que não somos os únicos seres aprisionados numa esfera planetária que descreve movimentos contínuos em torno de uma Estrela. E digo-lhe que estou deveras curioso para saber tudo aquilo que me propõe contar. 
 

A senhora parecia nervosa, mas via-se nos seus olhos que ela estava ansiosa para deitar para fora tudo o que lhe vinha tirando o sono nos últimos anos. Segurou o copo com água, olhou, por alguns segundos, nos olhos do Sr. Thomas, bebeu delicadamente um gole e, pousando o copo de volta em cima da mesa, começou o longo desabafo:

 
(continua)

 

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@Socram d'Arievilo| 2017